terça-feira, 18 de junho de 2019

SUDESTE PET: ARTIGO APRESENTADO

Territorialidade caiçara e diálogo de saberes: Re-conhecimento da comunidade tradicional de São Gonçalo, Paraty/RJ
Anita Loureiro de Oliveira (Tutora)
André Luiz Tavares
Andressa de Oliveira
Beatriz Maravalhas
Eloá Marcele
Emanuelle da Silva
Fernanda Lima
Francine Santos
Júlia Ananda
Leonardo Aragão
Marcus Aguiar
Maria Eduarda
Mariana Rodrigues
Mateus Duarte
Queila Romualdo
Tales Mattos
Thayla Rocha
Thayná Cagnin
Thiago da Silva
Grupo PET-Geografia/IM
Eixo 8
mariianars@hotmail.com
                                                                                                                                                     


Resumo
O trabalho realizado em diálogo com a comunidade de São Gonçalo, Paraty/RJ teve como objetivo principal reconhecer a identidade caiçara e valorizar seus saberes e lutas. A proposta metodológica do diálogo com a comunidade resultou no livro Geografia e Diálogos de Saberes: Territorialidades Caiçaras em Paraty, que destaca a luta pela afirmação territorial da comunidade frente a interesses que incidem na localidade. Como desdobramento, elaboramos o Mapa Caiçara de Turismo de Base Comunitária, que apresentaremos no SUDESTE PET para compartilhar nossa experiência de ensino, pesquisa e extensão.

Palavras-chave: Resistência Caiçara; Diálogo de Saberes; Território.

Introdução
            O Grupo Pet-Geografia/IM[1] iniciou as pesquisas junto à comunidade de São Gonçalo, Paraty/RJ em 2016, quando alguns petianos/as cursavam a disciplina Trabalho de Campo em Geografia, ministrada na época pela tutora do grupo Anita Loureiro de Oliveira. Durante a disciplina ocorreu uma vivência na comunidade, onde conhecemos o Turismo de Base Comunitária (TBC) e os guias caiçaras que despertaram o interesse do grupo em aprofundar a experiência no lugar.
            Prosseguimos a pesquisa com a comunidade com base no diálogo horizontal e destas trocas surgiram novas reflexões que buscaram valorizar aqueles saberes que tivemos a oportunidade de ter contato. Vale frisar que “Não é o saber sobre eles que nos interessa. É o saber deles, com eles.” (OLIVEIRA, 2018, p.).
            Em 2018, publicamos o livro Geografia e diálogo de saberes: territorialidades caiçaras em Paraty, com artigos escritos coletivamente pelos/as petianos/as. O livro foi um primeiro resultado desta etapa da pesquisa, considerando as narrativas da comunidade, levantamentos históricos e contribuições de professores convidados. O livro é um trabalho acadêmico relevante, pois permitiu destacar a experiência de ensino, pesquisa e extensão realizada pelo grupo. Entretanto, ao fazer a devolutiva à comunidade, entregando a eles os exemplares dos livros com registros de nossas trocas de experiência, sentimos a necessidade de um desdobramento que pudesse garantir a eles um uso mais prático e cotidiano daquilo que eles nos ensinaram sobre o lugar. Tratava-se de tentar retribuir nosso aprendizado com eles, elaborando um material que os guias da comunidade pudessem usar em suas práticas de turismo comunitário. Surgiu então a ideia do mapeamento colaborativo: O Mapa Caiçara de Turismo de Base Comunitária a ser utilizado durante as visitas guiadas. Ressaltamos no mapa os pontos importantes apontados pelos próprios guias e membros da comunidade em nossos trabalhos de campo e vivência na comunidade.

Objetivos
            O objetivo principal do grupo, desde o primeiro momento, é horizontalizar o saber e aproximar a universidade dos anseios comunitários, com base em uma episteme sensível e dialógica. A criação coletiva de materiais que valorizem saberes populares, como os conhecimentos caiçaras, tem como objetivo descortinar conflitos territoriais existentes, de modo a contribuir cientificamente para que estes grupos populares possam afirmar sua territorialidade.

Metodologia
            A metodologia da pesquisa valoriza o diálogo com saberes que foram subalternizados ao longo da colonização, por meio da colonialidade do poder e do saber (QUIJANO, 2005). Por considerar fundamental a posicionalidade do cientista, o grupo, enquanto pesquisador coletivo, adota uma postura de se tornar sensível à história do outro. Permitir uma abordagem mais sensível do (e com) o outro é uma das principais orientações de método praticadas e deixadas por Ana Clara Torres Ribeiro e propostas ao grupo por Anita Loureiro de Oliveira (2012), tutora do grupo desde sua criação em 2010. Ambas concordam com Sartre, para quem
Nossa compreensão do Outro não é jamais contemplativa: não é senão um momento da nossa práxis, uma maneira de viver, na luta ou na convivência, a relação concreta e humana que nos une a ele (SARTRE, 1967, p.126, apud OLIVEIRA, 2012, p.19)
            Os trabalhos de campo também se mostraram parte fundamental da metodologia da pesquisa, pois possibilitam a aproximação da teoria com a prática, que se mostra necessária para permitir a troca de experiências com a comunidade em questão. Como afirma Serpa (2006, p. 10),
O fantasma do empirismo que ronda a produção do conhecimento geográfico leva muitas vezes o pesquisador a reflexões teóricas elaboradas, mas sem a fundamentação empírica necessária à demonstração e à validação dos conceitos, que aparecem não raro descolados da realidade.
Para Ribeiro (2004) algumas ideias e conceitos sinalizam rumos possíveis para a ação social e correspondem a verdadeiras ferramentas para a elaboração de projetos voltados ao desvendamento de relações sociedade-espaço conduzidas por racionalidades alternativas.

Desenvolvimento
O laço criado com a comunidade resultou em diversos aprendizados e reflexões, onde pudemos vivenciar e conhecer melhor a luta caiçara de São Gonçalo, Paraty/RJ e o conceito de territorialidade. Desde 2016, o PET-Geografia tem tido muitas oportunidades de conhecer a narrativa caiçara e as particularidades da luta enfrentada por eles para manter seu território e seu modo de vida. Como destaca Escobar (2015, p. 06), “dentro dessa complexa situação, as lutas pelos territórios tornam-se luta pela defesa dos muitos mundos que habitam o planeta”.
A partir dos diálogos feitos nos trabalhos de campo que o grupo realizou no decorrer dos anos da pesquisa, aprendemos muito com a luta pela permanência no território caiçara. A BR-101 foi um dos elementos que tornaram ainda mais difícil a permanência deles na região. Segundo Fontes (2013) a construção da rodovia, na década de 70, veio acompanhado do turismo e da forte especulação imobiliária, e vários conflitos fundiários se intensificaram na região. Um exemplo é o conflito causado pela White Martins, que começou a comprar e/ou grilar terras de caiçaras, expulsando a comunidade da praia, tirando-os de seu lugar e comprometendo a racionalidade de sua existência. As ações da White Martins contra a comunidade ganharam visibilidade com a trágica e precoce morte de Zequinha, líder comunitário que à época lutava contra tais remoções. O conhecimento deste conflito histórico e de resistência resultou na publicação de artigos reunidos no livro Geografia e Diálogo de Saberes: territorialidades caiçaras em Paraty, onde pudemos refletir sobre nossas experiências de pesquisa e extensão. Como desdobramento do livro, buscamos produzir algo que fosse útil para o cotidiano da comunidade e em conjunto com lideranças locais, elaboramos o Mapa Caiçara de Turismo de Base Comunitária, para tornar visível o roteiro criado pelos caiçaras nas visitas por eles guiadas.

Resultados/conclusões
            Consideramos que esta experiencia de ensino, extensão e pesquisa do PET-Geografia/IM com a comunidade caiçara de São Gonçalo, Paraty, resultou em, pelo menos, dois importantes trabalhos que dão sequência e sentido um ao outro: um livro e um mapa colaborativo. Estes produtos colocam em prática o diálogo de saberes que orienta nossas ações no reconhecimento de formas de existência (e de resistência) que caminham no sentido da criatividade, da coletividade e da solidariedade horizontal.
A afirmação da identidade caiçara é uma construção que visa proteger seu território e suas práticas através da resistência, criando alternativas frente às imposições vindas de cima e que causam devastação em nome do desenvolvimento promovido por atores vinculados aos mercados globais (ESCOBAR, 2015). Tal como propõe Milton Santos, é preciso considerar a força do lugar na construção de contrarracionalidades e de racionalidades paralelas, pois estas levantam-se como realidades alternativas frente à racionalidade dominante e apontam caminhos ao pensamento e à ação (SANTOS, 1997). Esta é a base teórico-prática do PET-Geografia/IM.

Referências bibliográficas

ESCOBAR, Arturo. Territórios da diferença: a ontologia política dos “direitos ao território”.  Desenvolvimento e Meio Ambiente, v. 35, 2015.
FONTES, Carine F. Lopes. Análise dos conflitos socioambientais na área de proteção ambiental de cairuçu (PARATY – RJ). Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, 170f, 2013.
OLIVEIRA, Anita Loureiro de. (Org.). Geografia e diálogo de saberes: territorialidades caiçaras em Paraty. – Rio de Janeiro, Nova Iguaçu: Entorno, 2018.
OLIVEIRA, Anita Loureiro de. Por uma episteme dialógica, sensível e criativa: Uma homenagem a Ana Clara Torres Ribeiro. Revista Tamoios (UERJ/FFP), São Gonçalo (RJ), ano 08, n. 1, pp. 13-29, jan/jun 2012.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In LANDER, Edgardo (org). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais, Perspectivas latino-americanas. Coléccion Sur Sur, CLASCO, Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina, 2005.
RIBEIRO, Ana Clara Torres. Lugares dos saberes: diálogos abertos. In. BRANDÃO, Maria de A. Milton Santos e o Brasil. São Paulo. Ed. Perseu Abramo. 2004a. Parte I, cap 1 p.39 a 49.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo:Editora Hucitec 1997 2ª edição.
SARTRE, Jean Paul. Questão de método. Tradução de Bento Prado Júnior. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1967
SERPA, Angelo. O trabalho de campo em geografia: uma abordagem teórico-metodológica. Boletim Paulista de Geografia. Número 84 São


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[1] Grupo PET-Geografia, Cultura e Cidadania: dialogo de saberes no ensino de Geografia (IM/UFRRJ).

SUDESTE PET: PET PARTICIPAÇÕES 3º DIA


Encontro de Área 8 – Saberes tradicionai
No dia 01/04/19, o EA 8 – Saberes tradicionais foi coordenado pela tutora do PET Geografia UFRRJ-IM, Anita Loureiro de Oliveira e teve a participação do Tutor do PET Etnodesenvolvimento Alexandre Monteiro e da tutora Eliana do PET Biologia Unifesp .... petianas/os..... Tales Mattos (PET-GEO UFRRJ-IM), Beatriz Maravalhas (PET-GEO UFRRJ-IM), Julia Ananda (PET-GEO UFRRJ-IM), Maria Eduarda Bastos (PET-GEO UFRRJ-IM) e Natielle (colaboradora informal do PET-GEO UFRRJ-IM).

Após uma rodada de apresentações, o grupo PET-Geografia UFRRJ-IM apresentou sua experiência de diálogo de saberes com os caiçaras de Paraty evidenciando as potências e dificuldades desta metodologia de valorização dos saberes populares e intercâmbio de informações e conhecimentos.
Uma das dificuldades mencionadas foram os entraves institucionais para a participação destes integrantes de comunidades tradicionais nos grupos PET e sua permanência na universidade e no programa. A rigidez das normas e a inflexibilidade das instituições frente às diferentes cosmovisões (como no caso dos indígenas e quilombolas) o desrespeito a suas temporalidades próprias e seus modos de estar no mundo revelam a incompreensão institucional quanto aos ganhos da ciência estar aberta a outros saberes e o desperdício da experiência, tal como nos ensina Boaventura de Sousa Santos e sua sociologia das ausências.
O grupo apontou a necessidade deste tema ter mais representatividade nos debates promovidos nos encontros regionais e no ENAPET, uma vez que algumas normas e diretrizes do programa não contemplam a realidade destas comunidades, tais como a exigência de alto rendimento acadêmico (CR; impossibilidade de reprovações, entre outros).
No caso de grupos que não trabalham diretamente com comunidades tradicionais, mas que estavam no EA em busca de troca de experiencia no campo da extensão e do trabalho com as comunidades, foi apontada a dificuldade das universidades estarem efetivamente abertas à sociedade em geral e o exemplo é a dificuldade das IES se relacionarem com as comunidades que vivem no entorno dos campi universitários. Outros entraves institucionais podem prejudicar esta aproximação e isso precisa ser melhor trabalhado.
 
Relato feito por Anita loureiro (tutora do PetGeo)


SUDESTE PET: PET PARTICIPAÇÕES 2º DIA


No domingo dia 31 de março, ocorreu o terceiro dia de programação do Sudeste PET 2019. No pátio do primeiro do primeiro andar (P1) na UFRRJ-seropédica pela parte da manhã decorreu a apresentação de pôsteres científicos dos PET's de todo sudeste. O PET-Geografia estava presente com sete integrantes; Fernanda Lima, Francine da Silva, Mateus Duarte, Thiago Cardozo, Mariana Rodrigues, André Tavares, Thayna Cagnin, juntamente com a tutora Anita Loureiro,  que apresentaram dois banners contendo a pesquisa da territorialidade caiçara juntamente com o mapa produzido a partir do método da cartografia da ação abrangendo a região Paraty- São Gonçalo, que favorece o turismo de base comunitária local.
Na parte da tarde sucederam as apresentações de 10 GDT's: CenaPET: Estatuto; Avaliação e relatórios do programa PET: Caminhos; Interpet / Fórum PET e relacionamento com a IES; CLAA: Din Mica e funcionamento; Uso da verba de custeio; Diversidade e horizontalidade no PET; Tríade e indissociabilidade; Contribuição do PET na formação e evasão dos alunos de graduação; Interdisciplinaridade nos grupos PET; Divulgação e visibilização das atividades dos grupos PET.
Ao final da tarde rolou o coffee-break, assim dando seguimento à programação da noite. Onde o SARAU finalizou a programação de domingo do Sudeste PET 2019.
Relato feito pelo bolsista Mateus Duarte

SUDESTE PET: PET PARTICIPAÇÕES 1º DIA

O dia 30 de Março (sábado) os bolsistas Emanuele, Francine, Queila e Tales participaram da abertura do evento com a apresentação cultural do grupo de dança da UFRRJ e da Banda/fanfarra convidada para tocar musicas brasileiras popular para todos no Auditório Gustavo Dutra (Gustavão). 



A abertura contou também com uma mesa composta por professores e representantes de grupos PET's de outras UF's. Após a mesa de abertura todos foram convidados a ir ao restaurante universitário para o almoço, de certa forma o almoço atrasou devido grandes quantidades de quentinhas estragarem no caminho da universidade. As demais atividades foram atrasadas e a reunião dos tutores e alunos foi realizada na parte da noite, em seguida os minicursos e a confraternização. 





Relato feito por Emanuele e Tales

SUDESTE PET: “Tecendo conexões para representatividade, inovação e integração entre os Grupos PET da região Sudeste”


Do dia 29 de Março ao dia 01 de Abril ocorreu o SUDESTE PET 2019 na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. O evento é anual e ocorre desde o ano de 2014. E pela segunda vez a UFRRJ sediou o evento para 650 congressista de diversas universidades do Sudeste. Coordenado pelos grupos PET da Rural o evento era composto de varias atividades, como palestras, GDT's , EA's, cursos, oficinas e uma Assembleia geral.
O grupo PET GEO participou da construção do evento com a participações de 3 petianos no Staff e com a Tutora Anita Loureiro na comissão científica. Os demais estudantes participaram como ouvintes e apresentaram um poster sobre a atual pesquisa.

Relato do bolsista Tales G. 

segunda-feira, 17 de junho de 2019

X Semageo - Os impactos da precarização docente e da ofensiva (neo)conservadora


 X SEMAGEO


 X SEMAGEO


O curso de Licenciatura em Geografia do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ comemora em 2019,  uma  bagagem que totaliza 10 Semanas Acadêmicas de Geografia. Honrando o objetivo do evento que sempre foi  estimular uma reflexão geográfica sobre temas e questões relevantes para o entendimento do mundo atual, formando discentes - e futuros docentes - críticos, perpetuamos o legado trazendo o tema: "Os impactos da precarização docente e da ofensiva (neo)conservadora".
O evento ocorreu nos dias 10, 11 e 12 de junho, contando com ilustres presenças de professores externos e da casa, somando forças para pensar a atual crise societária, sobretudo no que permeia a Educação de base. Os desafios pautados são enormes, especialmente para a formação de novos docentes num contexto de precarização e de visíveis retrocessos, com perda de direitos sociais tão recentemente conquistados, a duras penas.
A presente democracia burguesa sente-se ameaçada com uma educação, ciência e culturas populares tão laicas, plurais e - verdadeiramente - democráticas, pois a perpetuação de sua hegemonia depende da ausência da consciência de classes, consequente da precarização do ensino crítico, dando espaço ao reprodutivo e conservador; como nos falaram Luiza Colombo, Amanda Moreira e Rodrigo Lamosa na manhã de terça-feira (11/06), o Movimento Escola Sem Partido como principal concretização desses ideais neoconservadores, necessita atacar e responsabilizar diretamente o professor para implementar-se legalmente. Posto que o BNCC e os livros didáticos já estão todos aparelhados, o professor torna-se principal inimigo e impeditivo para o sucesso do pacote de maldades na educação.
Assim, a proposta do evento foi, portanto, neste contexto de crise societária, reafirmar o compromisso social e público da Universidade, e especialmente da ciência geográfica, ao discutir e atuar nessa realidade formando professores e pesquisadores comprometidos com a equidade e com a diminuição das desigualdades econômicas, sociais, étnico-raciais e de gêneros.









Relato feito pela bolsista Maria Eduarda Bastos


quarta-feira, 5 de junho de 2019

RELATOS DOS TEXTOS DE LEITURAS DO GRUPO

No dia 5 de junho de 2019, o grupo deu continuidade a dinâmica de apresentação de texto, para essa atividade o título sugerido foi “Revolução de valores - A promessa da mudança multicultural” capítulo 2 , de autoria de Bell Hooks na sua obra “Ensinando a Transgredir - A educação como prática da liberdade”(Hooks, 2013). O presente capítulo aprofunda na discussão da revolução de valores, elucidando como esses permeiam a manutenção da cultura de dominação e ajudam a criar um mundo sem liberdade para estabelecer a evolução da supremacia branca. A ligação entre valores e hábitos são relacionados com o compromisso diretamente a liberdade, tendo como uma das principais referências para pensar essa questão as contribuições de Marthin Luther King acerca da revolução dos valores, pois são os valores que contribuem para a manutenção de ideias enraizadas de que a dominação é natural, por exemplo. 
O discurso hegemônico de segregação racial na época do Apartheid nos Estados Unidos, era exaltado por figuras públicas que reproduziam o materialismo absoluto, naturalizando a dominação e a segregação sob uma racionalidade ilógica de poder material. Válido ressaltar que esse discurso era legitimado pelo Estado vigente na época, a ponto de ser foco central em propaganda partidárias com pensamentos conservadores. Hooks aponta para problemática da coletividade da rejeição à esse tipo de pensamento ser ineficiente, de modo a rejeitarmos tal discurso porém ainda tornar-se permanente nos nossos cotidianos e hábitos. 
Nesse sentido, a autora resgata lembranças de sua adolescência, que mesmo os seus mais “rebeldes” atos não eram tão revolucionários assim quanto ela pensava na época, agora olhando sob a ótica de que a sociedade sustenta-se a partir de um sistema patriarcal capitalista de supremacia branca. Os processos de tentativa de dessegregação social, relata a autora, eram bem mais dolorosos para as pessoas negras, que precisam se esforçar para se adequar a uma realidade que ainda tinha práticas racistas. Mesmo nos meios mais progressistas a autora identifica a divergência entre o que se diz e o que se pratica de fato, e crítica essa cisão, pois nossa prática deve corresponder a nossa construção teórica. Os valores são construídos para favorecer os sistemas de dominação e o neoconservadorismo procura manter esses valores que surgem na tentativa de se voltar à ordem, sendo esta ordem, uma ordem inventada. 
Tomamos o exemplo utilizado pela autora ao comentar sobre a questão da família patriarcal que é amplamente defendida pelos conservadores como um espaço de ordem e seguro, entretanto, as estatísticas mostram como essa estrutura pode ser violenta, nesse sentido, a cultura da dominação, dos valores, promove vícios de mentira e negação que são perpetrados na sociedade e resulta na crise em que estamos vivendo que está ligada ao acesso (ou falta) à verdade. O consumo coletivo está alojado em espaços de desinformação e resistência a mudanças nas bases que estrutura os valores hegemônicos para que ocorra uma revolução de fato, a começar pela mudança de valores dentro da própria universidade junto à uma revolução epistemológica, e essa revolução encontra resistência daqueles que não querem abrir mão de sua autoridade, que é uma autoridade que se dá por ter-se frojado como a única possível. 
Relato pela bolsista: Fernanda Santos