quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Pet geo participações: Relato do IV Intrapet (Encontro Anual dos Grupos PET da UFRRJ)


Nos dias 16 e 17 de agostou ocorreu o IV Intrapet (Encontro Anual dos Grupos PET da UFRRJ) no auditório do PAT no Campus Seropédica. O evento teve como tema central a importância da área de extensão para o programa, com o título “Extensão Universitária no PET: elo ensino-pesquisa para o exercício da cidadania”. Escolhido por votação no Fórum PET (reuniões que ocorrem mensalmente com representantes de todos os grupos PET da universidade), o tema tangencia-se pela valorização de práticas de extensão como atividades transformadoras para a universidade e para a sociedade. A ideia é discutir primordialmente a experiência do aprendizado/ensino e a pesquisa a partir das ações de extensão dentro do PET.
No primeiro dia, após o momento de credenciamento, a mesa de abertura contou com a presença de representantes das pró-reitorias de graduação e extensão, do Fórum PET e do CLAA (Comitê Local de Acompanhamento e Avaliação dos Grupos PET da UFRRJ). Após a abertura do evento, ocorreu o coffee break, organizado por alguns petianos de diferentes grupos. Ainda houve a apresentação dos projetos para 2018 de cada grupo.

O grupo PET Geografia UFRRJ/IM mencionou algumas atividades realizadas em parceria com a Ocupação Vito Giannotti seguindo de uma breve apresentação do livro “Geografia e diálogo de saberes: territorialidades caiçaras em Paraty” lançado pelo grupo em março. Houve ainda a menção do novo livro que o PET GEO está produzindo, “Gente de cá: geografias periféricas”, que conta com algumas demonstrações de produções acadêmicas de ex-bolsistas e capítulos que discutem o valor epistemológico da periferia e a importância dada ao conceito pelo grupo.















Por: Marcus Vinícius Aguiar -  Bolsista do Grupo PETGEO-IM.UFRRJ

RESULTADO DA SELEÇÃO DOS NOVOS PETIANOS REALIZADA NO DIA 22.08.2018

Bolsistas e colaboradores:

1º Mateus Duarte Ferreira
2º Emanuelle da Silva Oliveira
3º Eloá Marcele Nascimento Lacerda
4º Tainá Silveira Ibiapina
5º  Maria Eduarda Pires Bastos
6º Mariana Rodrigues de Souza
7º Thiago da Silva de O. Cardoso
8º Alerrandro Beittencourt de Araújo

Participação voluntária:

9º Thayla Rocha Madeira
10º Sara Firmino de Mesquita
11º André Guilherme A. da Silva
12º Natiele Vitória Castex Arantes
13º Letícia Neves Braga Leal
14º Andressa de Oliveira Rodrigues
15º Luiza Pires dos Santos
16º Igor Batista Lucas



terça-feira, 19 de junho de 2018

PETPARTICIPAÇÕES: O PENSAMENTO DAS MULHERES NEGRAS NO DESENVOLVIMENTO DE UMA IDEIA DE FILOSOFIA AFRICANA POLÍTICA, ENQUANTO CRÍTICA AO EUROCENTRISMO

A imagem pode conter: 1 pessoa, textoNo dia 22/05/18 o grupo PETGEO esteve presente na palestra promovida pelo grupo PETCONEXÕES baixada, no Instituto Multidisciplinar, com objetivo de pensar outras temáticas a partir das margens, enxergando o grupo supracitado como ferramenta para pensar e falar a partir do lugar daqueles que se diferem do discurso tido como hegemônico, o Eurocentrismo. 
A palestra contou com a presença da Filósofa Katiúscia Ribeiro, Mestra em Filosofia e Ensino e Doutoranda do programa de pós graduação em Filosofia da UFRJ. Katiúscia trouxe reflexões acerca da filosofia Africana, cujo objetivo é refletir sobre a ontologia do sujeito por uma realidade que se difere do locus ocidental eurocêntrico de enunciação. Essa filosofia permite pensar a vida a partir de uma outra perspectiva que não seja a Ocidental,mas sim a partir de perspectivas "Suleadoras", contra hegemônicas, no trilhar de um caminho referenciado ao Sul e não ao Norte, tomando a África como centro do diálogo e da existência, esta que por sua vez, só é possível graças às "matrigestoras", mulheres negras, que mesmo estando em um “não lugar” imposto pelo processo de escravidão, conseguiu ser potência, gerou potências, rompeu com uma ciência rígida, desligada do místico, e principalmente, rompeu com uma ciência criada por homens, predominantemente brancos. 
A filosofia Africana busca uma visão do todo e enxerga o homem a partir desse todo, indo contra a tendência eurocêntrica de separação entre razão e emoção, entre homem e o cosmo. Propõem uma visão integrada de corpo com a mente, uma busca por transcendência, indo contra a tendência.
   Filósofa Katiúscia Ribeiro e Professora Fernanda Felisberto
Segundo ela, na filosofia africana a mulher é matrigestora, é "mulher potência", é a força dessas mulheres que movimenta o seu lugar no universo. É um corpo que está para além da racionalidade física. 
Em sua fala pudemos compreender a problemática da Colonialidade do poder e do saber promovidos pelo discurso único do ocidente, e o exercício de resistência constante de romper com essa "azili ocidental", que segundo ela é como se fosse um "sistema operacional que formata a realidade de um povo" para conquistar uma "azili operante"com sistemas plurais, diversos, e não uma única forma de ser, sentir e pensar.  Na fala da filósofa: “O problema não é só o que o ocidente fez, mas também o que ele não nos deixa enxergar. Não queremos uma única perspectiva de viver o mundo e enxergar uma única realidade.” Fala-se aqui do pluriverso (ESCOBAR, 2011) em contraponto a noção de universo, em defesa dos múltiplos pensamentos, das epistemes, das diversas culturas e modos de vida. 
A atividade foi muito enriquecedora e o grupo Pet Geografia gostaria de agradecer ao Pet Conexões Baixadas por momentos inspiradores para novas práticas e reflexões como esse na Universidade.

     


Por: Thayná Cagnin Maia - Francine Santos - Bolsistas do grupo PETGEO.IM - UFRRJ

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CINEPET:

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19-06 ÀS 14:00

PETPARTICIPAÇÕES - CURSO DE LETRAMENTOS E DIREITOS HUMANOS


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No dia 09/05 quarta-feira, no Bloco Multimídia do Instituto Multidisciplinar UFRRJ-Campus Nova Iguaçu, ocorreu o curso de extensão sobre o tema: LETRAMENTOS E DIREITOS HUMANOS. Promovido através do curso de Letras (português-literatura) o curso tinha como enfoque a “Autoria, capitalismo editorial e racismo”, tendo como principais mediadoras a professora Rosangela Malachias (UERJ/FEBF) e a professora Fernanda Felisberto (UFRRJ/IM, professora tutora do PET-Conexões da Baixada).  O evento que em sua maioria era composto pelo alunato de Letras, tinha também alunos de outros cursos como História e Geografia, contudo o grupo PET-GEO/IM e a tutora Anita Loureiro esteve no evento e pode vivenciar momentos e debates importantes a respeito das narrativas produzidas pelas escritoras negras que eventualmente encontram pouco ou nenhum espaço para publicar e difundir suas obras isto sendo resultado de séculos de “racismo estrutural no Brasil”. Com o curso dividido em dois momentos as professoras Rosangela e Fernanda trouxeram discussões de temas como: “Motivação a práxis: Trabalho, pesquisa e ativismo”; “Racismo estrutural e suas implicações”; “Exclusão de possibilidades de cidadania pelos negros”; “Racismo institucional”; “Retirada da humanidade das populações negras”; “Movimento negro na recusa do mito da democracia racial”; “Perspectiva das prisões no acesso a leitura, onde mulheres nos cárceres escreviam cartas pedindo mais acesso a leitura”. Mais para de ambas as partes, foi exibido um documentário sobre os “Cadernos Negros” grupo de São Paulo que publica livros contos e poesias de escritores negros. No fim do evento ocorreu o momento de debate onde o público pode debater as questões que surgiram durante o curso além de poderem contribuir com o mesmo.


Por: Tales Gaspar de Mattos Reis - Bolsista do grupo PETGEO-IM.UFRRJ

segunda-feira, 18 de junho de 2018

PETPARTICIPAÇÕES - IX SEMAGEO DA GEOGRAFIA



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Entre os dias 4 e 8 de julho, o grupo PETGEO esteve interado com a IX Semana da geografia, um evento organizado pelo curso de Geografia do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. A SEMAGEO vem ocorrendo desde 2010 com diversas propostas temáticas, em busca de promover a reflexão e proporcionar de atividades voltadas para o ensino, pesquisa e extensão, buscando difundir um conhecimento geográfico capaz de estabelecer o diálogo entre Universidade e Sociedade. 
A IX SEMAGEO teve como tema: "CONTRIBUIÇÕES DA GEOGRAFIA PARA UMA UNIVERSIDADE PLURAL, ABERTA E SOCIALMENTE CONECTADA", fortalecendo o debate de uma Universidade que tenha sobretudo o papel de transformar, e como a geografia enquanto uma disciplina crítica, que pensa as relações e transformações no espaço, se coloca frente a todos os desafios que vêm se levantando, sobretudo para o desmonte de uma educação pública e de qualidade. "A proposta do evento é, portanto, neste contexto de crise societária, reafirmar o compromisso social da universidade, especialmente da ciência geográfica, ao discutir e atuar nessa realidade". 
O primeiro dia do evento (04/06) consistiu em uma mesa composta pelos professores Francisco Chagas do Nascimento Jr (Professor do IM e coordenador do Pré-Enem Social – Ethos), Ronaldo Pimenta de Carvalho Jr (Coordenador de Geografia do Pré-vestibular CEDERJ), Fransérgio Goulart (Historiador, Assessor político do centro de direitos humanos de Nova Iguaçu e militante do Fórum Social de Manguinhos) e Felipp Castelano (Estudante de Letras da UFRRJ, Coordenador de Assuntos para a Juventude de Queimados e Coordenador do projeto Pré-Vestibular Social Prof Fábio Castelano). O assunto girou em torno da temática do acesso às universidades públicas e a oferta de oportunidade promovidas pelos pré-vestibulares sociais ou comunitários. Ainda nesse dia, na parte da tarde, houve um espaço providenciado para apresentações culturais organizado pelo estudante do curso de Geografia, Thiago Cardoso e a Comissão de Cultura da IX SEMAGEO. Apresentaram-se no Hall do IM artistas de diversos estilos, como a Drag Queen Karoline Absinto, a Trupe de Teatro M.E.R.D.A, o Coral de Alunos da Escola Estadual Aydano de Almeida, o Griot Macedo e a banda 5.3 – A Última Estação.
 O segundo dia (05/06) recebemos no auditório, uma mesa em que o tema foi Meio Ambiente, em homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente, na qual apresentaram-se o professor Nelson Ferreira Fernandes (Departamento de Geografia da UFRJ; Coordenador do Laboratório de Monitoramento e Modelagem Pedogeomorfológica – LAMPEGE), Paulo Roberto Russo (Geógrafo, Analista Ambiental e Coordenador Geral de Gestão Socioambiental do ICMBio) e Juliana Cristina Fukuda (Bióloga, Analista Ambiental Área de Proteção Ambiental de Guapimirim/Estação Ecológica da Guanabara ICMBio).

Além de outras interações como a participação em oficinas, palestras e atividades culturais, o grupo PET teve espaço para apresentar, no terceiro dia, um de seus artigos que se encontra no livro mais recente do grupo. O artigo "Entre a dominação e a resistência: uma análise sobre o turismo e a restrição de direito em São Gonçalo - Paraty" foi apresentado no terceiro dia, juntamente com outros trabalhos de estudantes do curso.

No último dia, houve uma mesa voltada para a Geografia Humana, onde foram discutidas as relações de gênero no trabalho com a professora e socióloga Moema de Castro Guedes (Departamento de Ciências Sociais UFRRJ/ PPGCS-UFRRJ), as relações sociais, de gênero e questionamentos às epistemologias hegemônicas no meio acadêmico com a professora Julia Cossermelli de Andrade (Departamento de Geografia UERJ, Coordenadora do Laboratório Viramundo – Geografias Populares), e a regionalização e formação histórica da Baixada Fluminense com a professora Lúcia Helena Pereira da Silva (Departamento de História UFRRJ/IM). Após a mesa redonda, na parte da tarde, foi promovida pela Coletiva Vandana Shiva – Cultura, Existência e Cotidiano uma oficina com a temática de estudos sobre o Corpo, apresentada pela professora Anita Loureiro de Oliveira (Departamento de Geografia UFRRJ/IM PPGEO/UFRRJ/IM) e pelos demais participantes da Coletiva.

A IX edição da SEMAGEO, utilizou-se, portanto, de um favorecido espaço de troca de ideias e estimulou os participantes ao debate, visando, enfim, o tema principal do evento “CONTRIBUIÇÕES DA GEOGRAFIA PARA UMA UNIVERSIDADE PLURAL, ABERTA E SOCIALMENTE CONECTADA”.     

 




















Para  ter acesso a fotos, certificados, programações e saber mais sobre o evento acesse ao site: https://semageoufrrjim.wixsite.com/semageo


Por: Marcus Vinícius Aguiar - Francine Santos - Bolsistas do Grupo PETGEO-IM.UFRRJ

   

terça-feira, 22 de maio de 2018

CINEPET - Estrelas Além do Tempo




No dia 21 de maio, às 14:00, o grupo PetGeo realizou sua atividade de cine debate com o filme "Estrelas Além do Tempo". O nosso objetivo nesse CinePet foi promover um debate, através da exibição do filme, sobre o algumas formas de discriminação que aparecem, tais como o racismo e machismo.  

O filme se passa durante o período da Corrida Espacial entre os EUA e URSS, e 3 americanas negras funcionárias da NASA protagonizam a história. É nítido que entre muitos, elas se destacaram fazendo com o que os EUA vencesse a corrida, porém em diversos momentos é mostrado o racismo (que ainda era coinstitucional no estado da Virgínia). Por diversos momentos observamos formas de segregação que os negros sofriam, como os assentos separados em ônibus, os banheiros coletivos para brancos eram diferentes dos para negros, e inclusive nas bibliotecas públicas tinham áreas onde os negros não podiam sequer circular, além de escolas onde só poderiam estudar brancos. Dentro da NASA a situação não era muito diferente, fazendo com que mesmo a funcionária que era vista como uma das melhores em sua área, tivesse que ir ao banheiro em outro prédio por conta de não ter banheiros pra negros no prédio para o qual ela havia sido levada para trabalhar temporariamente.

Após o filme, as alunas Queila Romualdo e Fernanda Lima coordenaram o debate acerca das questões mencionadas acima, e podemos então revelar algumas críticas positivas e negativas sobre o filme. Positivamente, o filme cumpre o objetivo de valorizar mulheres que foram de grande importância durante o processo da Corrida Espacial, e mostrar como era a luta para ultrapassar as barreiras do racismo e do machismo pelo o qual passavam por serem mulheres negras. Negativamente, o filme trás a ideia de que o homem branco e chefe de uma das personagens, é o "grande salvador" da história, dando entender que ele tomava algumas atitudes por ser contra o racismo, quando na verdade ele só as tomava quando era em prol do seu trabalho.


Por Leonardo Aragão - Bolsista do grupo PETGEO-IM.UFRRJ 

Katiúscia Ribeiro e a filosofia africana: Perspectivas Suleadoras da afrocentralidade do pensar



No dia 22-05 o grupo PETGEO participou da palestra promovida pelo grupo PET conexões baixada, direcionado pela professora Fernanda Felisberto. A convidada Katiúscia Ribeiro, trouxe reflexões acerca da filosofia Africana, que segunda ela nos permite pensar a vida a partir de uma outra perspectiva que não seja a Ocidental, mas sim a partir de perspectivas "Suleadoras", contra hegemônicas, no trilhar de um caminho referenciado no Sul e não ao Norte, tomando a África como centro do diálogo e da existência, esta que por sua vez só é possível graças às "matrigestoras", mulher, negra, que mesmo estando em um não lugar  consegue ser potencia, gerando potências, rompendo com uma ciência rígida, desligada do místico, e principalmente rompendo com uma ciência criada por homens, predominantemente brancos. Na filosofia africana a mulher é matrigestora, a filosofia parte da mulher.        


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quinta-feira, 17 de maio de 2018

PET - DEBATES: Geografia e pensamento descolonial: notas sobre um diálogo necessário para a renovação do pensamento crítico - Valter do Carmo Cruz


     Dando continuidade ao seu ciclo de leituras e debates, o grupo PET-Geografia da UFRRJ debateu, no dia 18 de abril de 2018, o artigo acima titulado do autor Valter do Carmo Cruz, em um movimento para suprir a demanda (levantada em nossa reunião de planejamento) de temáticas relacionadas ao pensamento descolonial. O referido artigo é um capítulo do livro “Geografia e giro descolonial: experiências, ideias e horizontes de renovação do pensamento crítico”, organização de Valter do Carmo e Denílson Araújo de Oliveira (editora Letra Capital, 2017).
     A importância da temática converge com a identidade do nosso grupo, pois pautamos nossas ações na tentativa máxima de construir pesquisas com base em experiências horizontais, dialógicas, partindo de outros lugares de enunciação por meio da construção de uma ciência mais sensível, humana, compromissada com a emancipação dos laços hegemônicos da sociedade moderno-colonial.
     O texto é muito interessante para quem quer começar a ler sobre o pensamento descolonial, porque o autor escreve de forma clara e didática acerca de algumas concepções e conceitos básicos da literatura desse movimento, sendo caracterizado por sua posição crítica às formas de poder estabelecidas por opressões, materializadas no cotidiano pela colonialidade do ser, da política, da cultura, dos saberes e da natureza. Cruz começa o escrito afirmando que a história da colonização não acabou como querem fazer parecer alguns movimentos e linhas teóricas, pois muitas das nossas relações na contemporaneidade são expressas com base no poder colonial. Para o melhor entendimento de tais categorias, o autor explica que usamos o termo “colonização” para indicar a forma de periodização (relações pretéritas) e “colonialidade” para se referir ao que se apresenta no tempo presente como herança. Ou seja, a colonialidade está presente no nosso dia-a-dia em variadas formas (objetivas e subjetivas) como processos oriundos da colonização.
     No campo da produção do conhecimento, isso se revela pela imposição do método científico arraigado pelas concepções positivistas, caracterizado por padrões dicotômicos e hierárquicos, que se manifesta como saber privilegiado e verdade absoluta, principalmente com a consolidação do capitalismo na evolução do meio técnico-científico, tendo uma referência geográfica única, o norte global. Esse é um movimento que gera profundas violências epistêmicas, ou epistemicídios, pois o que não é produzido dentro da academia e a partir do norte, é desconsiderado, subjugado, silenciado e invisibilizado. Cruz afirma que as nossas referências teóricas são formuladas por bibliotecas hegemônicas, e que devemos pensar e valorizar as bibliotecas descoloniais, que trazem as experiências teórico-metodológicas a partir do Sul.
    A partir da análise geográfica, Valter Cruz, referenciado por Doreen Massey, afirma que a colonialidade está presente na configuração dos lugares, sendo vistos a partir do olhar linear-desenvolvimentista, como se todos os espaços estivessem em uma linha cronológica de adaptação aos imperativos modernos, discurso legitimado justamente por trazer o “desenvolvimento” como motor das mudanças, não importando o massacre que isso pode gerar para diversas vidas, como é o caso das diversas famílias removidas de lugares estratégicos ao acúmulo de capital na cidade do Rio no contexto dos megaeventos. Assim, os lugares são vistos sem suas peculiaridades, cotidianidades e essências, são considerados apenas pela posição que ocupam na fila da história. A superação dessa forma de compreensão do tempo-espaço implica sérios e profundos compromissos epistemológicos, políticos e éticos, pautados em narrativas descoloniais que consideram o espaço como esfera da possibilidade da existência da multiplicidade.
     Para tanto, Cruz nos oferece alguns suportes teórico-metodológicos baseados em alguns desafios, a saber: 1) construir um pensamento descolonial enraizado nas especificidades e singularidades da formação socioespacial brasileira; 2) construção de um pensamento descolonial que efetivamente realize um giro espacial/territorial; 3) ultrapassar o debate epistêmico e teórico abstrato e fecundar essas ferramentas teóricas e epistemológicas que o pensamento descolonial vem produzindo; entre outros.
     Nosso intuito com esse breve relato foi o de despertar a curiosidade do leitor e da leitora para a consulta do artigo inteiro. É um texto que apresenta uma grande contribuição para as bibliotecas descoloniais em diálogo com a Geografia. Que possamos construir um novo modelo de ciência pautado no diálogo nas/com as experiências do Sul, mais humana, plural, democrática e emancipatória!


“Se o tempo é a dimensão da mudança, o espaço é a dimensão da multiplicidade contemporânea.” (MASSEY, 2005)





Por: Gabriel Martins -  Colaborador do grupo PETGEO-IM/UFRRJ