sexta-feira, 28 de junho de 2013

Participação do minicurso do InterIMAGE realizado nos dias 26 e 27 de junho no DG/UFRRJ na II Semana da Geografia UFRRJ

Participação do minicurso do InterIMAGE realizado nos dias 26 e 27 de junho no DG/UFRRJ na  II Semana da Geografia UFRRJ

Imagem retirada em http://www.lvc.ele.puc-rio.br/projects/interimage/pt-br/, no dia 28/06/2013 às 20:23
      O minicurso foi oferecido pelo professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Gustavo Mota de Sousa. O minicurso compreendeu parâmetros do trabalho de geoprocessamento, sendo utilizado como estudo o sensoriamento remoto e para ferramenta de execução, o software livre “InterIMAGE”. No primeiro dia foram apresentados conteúdos básicos teóricos, tais como: O quê é geoprocessamento; o quê é sensoriamento remoto; a definição de uma imagem; os tipos de sensores; etc. Após a apresentação teórica, tivemos um primeiro contato com o software InterIMAGE, onde foi apresentado como elaborar um projeto e outros procedimentos do software. Já no segundo foi eabordado como exportar a imagem como shape- para ser utilizado em outros programas, como Quantum GIS e ArcGIS - e como retirar diversas informações de uma única imagem. Ao final do minicurso foi possível compreender como elaborar, por exemplo, um shape de uso e ocupação do solo de uma determinada região.
       O software InterIMAGE, é livre e podendo ser baixado sem custo pela internet. Alguns de seus criadores e operadores são: PUC-Rio; LVC; INPE; FAPERJ e outros.
Usar esse software, é uma das alternativas de analisar uma determinada localidade e suas mudanças espaciais, quando, por exemplo, não é possível a elaboração de um trabalho de campo, ou precisa-se de uma análise de uma área muito abrangente. É indiscutível a importância de um trabalho de campo! Mas não podemos negar as outras possibilidades. E a utilização desse software possibilitará aos alunos novas metodologias para serem trabalhadas em seus projetos.

 Link para download do software InterIMAGE: https://dl.dropboxusercontent.com/u/44897992/files.zip http://www.lvc.ele.puc-rio.br/projects/interimage/pt-br/

Agradecemos ao professor Gustavo Mota de Sousa e à comissão organizadora da II Semana da Geografia da UFRRJ.

Bárbara Marques
PET-Geografia/ UFRRJ-IM


segunda-feira, 24 de junho de 2013

A mesa "Ambiente e Sociedade, desfazendo fronteiras", que fez parte do Ciclo de debates e vivências, denominado "Inquietações Geográficas", pelo PET de Geografia da UFF, foi mediada pela Profa. Rita Montezuma e com participações do historiador Prof. José Augusto Pádua (UFRJ) e pelo Geógrafo Prof. Ruy Moreira (UFF / UERJ). Com a plenária lotada, foram expostos os dois pontos de vista, que a principio, poderiam parecer opostos, mas que ao longo as exposições e com as posteriores perguntas feitas pela plenária, composta majoritariamente por estudantes, se completaram . Logo as análises foram uma aula de História Ambiental e da Lógica da ocupação do espaço hoje conhecido como Brasil.

O Professor e Historiador José Augusto Pádua expôs  as suas reflexões sobre a História ambiental e, para tal, leu fragmentos de documentos da época colonial brasileira, que remetiam à ocupação predatória do espaço natural, justificando que fará uma reflexão com base nestes textos do passado. Destacou, entre diversos exemplos, o nocivo contato para as sociedades nativas com o colonizador, pois os mesmos, além da dizimação por força, trouxeram inúmeras doenças desconhecidas pelo sistema imunológico dos povos nativos, como gripes e outros vírus, que acabaram por diminuir a expectativa de vida das sociedades aqui originalmente constituídas. Apresentou também a lógica predatória da monocultura de "plantation", como herança cultural-econômica deixada ao longo da história, para que hoje entendamos a ocupação dos sistemas produtivos agrícolas brasileiros.
 
O Professor e Geógrafo Ruy Moreira, nos brindou com uma análise contundente extremamente didática sobre o que ele nomeou de "Ruptura ecológica-territorial", que segundo o mesmo esta justificada na sociedade moderna mercantil. O destaque foi a exposição do Professor, acerca dos modos de contato com o meio natural, na qual, a "evolução" da sociedade sob a base capitalista afasta a mesma do meio natural, criando assim uma alienação ambiental da espécie humana, que outrora com os denominados "índios" era de um contato harmonioso e fértil, na medida em que as sociedades originárias do espaço brasileiro, mantinham um contato extremamente sustentável com o meio, favorável à sua não degradação. Quando as relações mercantis passaram a exercer papel dominante nas relações sociais, a lógica da lucratividade passou a demandar o uso irracional do solo e o afastamento definitivo do ser humano com relação à natureza. O que antes era uma relação de extrema harmonia, nas sociedades comunitárias - como as indígenas - tornou-se uma convivência predatória, na transformação desta em sociedade societária,  o que contribuiu para o atual alarme ambiental. 
 
Em síntese, como se pode notar, as exposições se completaram e permitiram a realização de uma bela reflexão sobre a fronteira que há entre a sociedade capitalista e a natureza. Em tempo, faz-se necessário apontar que a Professora Rita Montezuma, na qualidade de mediadora, concluiu que a "emergência" das discussões sobre a preservação dos recursos é algo necessário para a manutenção do sistema, visto que o mesmo descobrindo que os recursos não seriam suficientes para a continuidade da produtividade nos moldes atuais. Não que tal preservação e busca de novas lógicas não sejam necessárias, porém são de grande necessidade para a guarda do consumo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Oficina 'Exercícios do olhar'

    
     No dia 30 de abril de 2013, o PET geografia realizou a oficina “Exercícios do olhar", sobre o uso da Fotografia e a construção de conhecimentos. O professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Valter Filé evidenciou a importância de ter um olhar diferente sobre a imagem, olhar que possa mostrar aquilo que outros fotógrafos não mostram e precisa ser posto à vista. Ele ressaltou a importância da escolha do ponto de vista tanto na  hora de fotografar quanto de fazer uma pesquisa, aprender a enxergar com outro olhar nos permitirá batalhar por outro ponto de vista diferente daquele que foi naturalizado, e provavelmente disseminado por uma lógica dominante.
 





  

       Em seguida, o professor apontou os três princípios básicos para se capturar uma boa imagem. Falou sobre a escolha do motivo, a relação sujeito-objeto e a composição. Sobre o último, afirmou que se trata de efeitos na imagem que expressam decisões que são políticas. Falou sobre os planos e evidenciou que as diversas formas de compô-lo expressam o nível de intimidade com o que é dito e mostrado, sobre os ângulos afirmou que eles estabelecem relações de poder. 

     
   Após essa orientação, os petianos foram colocar em prática o que foi apresentado, e Valter Filé propôs que fotografássemos livremente, com um olhar diferente do dito ‘natural’. Os alunos buscaram elementos do IM que se identificavam ou que quisessem mostrar por entenderem que estes não eram posto em evidencia, mas que fazem parte do cotidiano dos estudantes e da universidade como um todo. Os bolsistas tiveram quarenta minutos para fotografar e escolher a foto que mais gostaram, estas foram exibidas para todo o grupo e em seguida o professor Filé as analisou tecnicamente, mostrando-se satisfeito com este primeiro contato do grupo com a fotografia e as questões apresentadas.




Camila Fernandes
PET-Geografia/UFRRJ-IM

quarta-feira, 24 de abril de 2013

CINEPET GEO: Brava gente Brasileira


O vídeo-debate com a exibição do longa “Brava gente brasileira” e participação do professor Gustavo Granha foi extremamente interessante e vantajoso, sendo abordadas, além da perspectiva histórica da prática cartográfica, temáticas relacionadas com o choque cultural de diferentes sociedades e as relações estabelecidas entre os indivíduos. Fatos que foram relacionados com problemas sociais atuais, como a desapropriação da Aldeia Maracanã. De forma semelhante ao que ocorria com a invasão, apropriação e degradação de diversas sociedades por parte dos grandes Impérios expansionistas, vemos hoje o interesse de uma minoria, voltada para o desenvolvimentismo e reprodução sem fim do capital, utilizando para essa finalidade todos os meios possíveis, sem levar em consideração os grupos sociais envolvidos neste processo. Através desse pensamento podemos nos indagar sobre os benefícios e malefícios impostos pela atual concepção de progresso. Estamos realmente progredindo? De que forma e a custa de que/quem está sendo ocorrendo o “progresso”? Existe realmente um país democrático? Até onde é respeitado o direito do indivíduo? Realmente existe algum direito?

Andréia Ribeiro
PET-Geografia/ UFRRJ-IM

terça-feira, 26 de março de 2013

CINEPET- Geo: Entre os muros da escola



    O prof. Clézio dos Santos, que conduziu o debate, evidenciou que o filme através do contexto escolar busca a reflexão sobre os impactos da imigração na França. Impactos estes que ficam evidentes no convívio escolar, mas que ultrapassam os muros da escola englobando toda a sociedade francesa. O filme revela que esta sociedade precisa se ajustar à realidade da coexistência de diferentes culturas como consequência do processo de colonização, que hoje dá direito ao território francês aos países colonizados pela França. O professor também trouxe para o debate a discussão sobre a influência francesa na educação brasileira, ressaltando as consequencias desta estrutura escolar no país. Ainda sobre o contexto escolar, levantou-se a discussão sobre o atual processo migratório no país utilizando o exemplo da cidade de São Paulo que recebe constantemente novos alunos bolivianos, fato que evidencia novas possibilidade de diálogo, como nos casos em que professores aprendem outro idioma para atender estes alunos e pais estrangeiros. Após o video e o debate, surgiu a proposta de pesquisarmos/debatermos os impactos dos processos migratórios que mais se destacam atualmente no Brasil, convidando para o debate um especialista no tema da migrações.

Michella Maia
PET- Geografia/ UFRRJ- IM

quarta-feira, 20 de março de 2013

RODA DE CONVERSA "FAVELA É CIDADE!"



       Cleonice Dias nos contou sobre sua experiência como moradora da Cidade de Deus e sobre suas lutas cotidianas em esclarecer essa ideia de que favela não é um lugar apartado da cidade, onde apenas temos uma perspectiva de ausências como se fosse um território vazio e apto a ser dominado...sem sujeitos, sem dinâmicas e sem vivências. Nos diz que a cidade surge como um espaço de disputa e construção atendendo a interesses globais e mercadológicos e é muito fácil percebemos isso quando atualmente temos no Rio de Janeiro esse imaginário de uma “Cidade Olímpica”, que tem transformado bastante o espaço urbano carioca para efetivação de alguns projetos – como o Porto Maravilha – e que tem passado por cima dos direitos dos cidadãos já que o foco se dá apenas no potencial econômico que estes projetos abarcam. Cleonice nos conta um pouco da história desde o inicio da Cidade de Deus, desde quando era considerado um conjunto habitacional que atendia aos interesses de uma remoção autorizada pelas esferas de governo vigentes, mas que acabou atingindo abrangências maiores do que o esperado e se tornou um bairro. Também nos fez refletir sobre as forças de controle atuantes na favela, vezes por tráfico de drogas ou armas, vezes por policiais, vezes por milicianos, que se encontram cada vez mais próximos do (ou no próprio) do Estado e nos conta que não é um movimento recente. Numa roda de conversa bastante leve e informal, Cleonice também aponta a academia como sendo um espaço essencial para as lutas sociais, já que permite enxergar os processos, os contextos de uma perversidade capitalista na qual a sociedade se insere e permite revelar desdobramentos desta parceria da universidade com as lutas sociais. Sempre apontando para a importância do coletivo em suas lutas, Cleonice, destaca que seu maior aprendizado advem das experiências cotidianas e que sua formação se deu na Cidade de Deus, pois esta foi fundamental para entender a sociedade e a cidade, nos fazendo repensar nossas práticas acadêmicas.

Carolina Peres
PET-Geografia/UFRRJ-IM

quarta-feira, 13 de março de 2013

Palestra: Território e Cultura na Periferia - Com Jorge Luiz Barbosa (Geografia/UFF)


O Coordenador do Observatório de Favelas e Professor da Universidade Federal Fluminense , o Geógrafo Jorge Luiz Barbosa, trouxe-nos a palestra com o título Território e Cultura na periferia, onde de maneira didática analisou em dois momentos distintos cada conceito. Primeiramente o de Cultura, onde fez referência a Hannah Arendt ao abordar Cultura como algo que tem a ver com o cuidado e o zelo, sendo diferente para cada grupo.Jorge Barbosa destacou a necessidade de respeito às mais variadas manifestações culturais, pois as mesmas são de fundamental importância para o entendimento do uso e apropriação do Território. No segundo momento Jorge Barbosa, citando Milton Santos, define o Território como espaço usado. Para Barbosa, a Cultura está intrinsecamente ligada ao Território, sendo que a primeira se apropria do segundo dando múltiplos usos. Trazendo como exemplo, sua vivência como Coordenador do Observatório de Favelas, contribuiu para o entendimento dessa conceituação trazendo exemplos do cotidiano de espaços periféricos que estão no centro da produção cultural da metrópole. 

Rafael Romano
Bolsista PET Geografia - UFRRJ

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

CINEPET-Geo : Criança, a alma do negócio

Você é a alma do negócio! Para iniciar o ano de 2013, o CINEPET-GEO exibiu o documentário "Criança, a alma do negócio", relacionando o consumismo e publicidade direcionada à infância. A música Propaganda da banda Nação Zumbi ajudou a estimular o debate sobre as principais questões abordadas pelo documentário, indagando: "Como pode a propaganda ser a alma do negócio / Se esse negócio que engana não tem alma? (...) Corro e lanço um vírus no ar / Sua propaganda não vai me enganar!"

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

III Semana de Integração - Geografia


      A III Semana de Integração do curso de Geografia, ocorreu entre os dias 07 e 11 de Janeiro de 2013. A proposta desta semana é aproximar e dar boas-vindas aos novos ingressantes (2012-2) do curso de Geografia da UFRRJ/IM. Sendo também uma forma dos antigos alunos, apresentarem os projetos e pesquisas desenvolvidos aos ingressantes.
Atividades que ocorreram na semana:

Alunos organizando a recepção

Segunda-feira 07/01
- I Mostra GEO: Exposição de fotografias e vídeos, produzidos pelos alunos dos trabalhos de campo e atividades dos projetos (PET e PIBID)

Terça-feira 08/01
- Mesa de abertura
Nidia Majerowicz (PROGRAD)
Leila Dupret (IM)
Mirian de Oliveria Santos (DES)
Anita Loureiro de Oliveira (Coord. do curso de Geografia)
Diálogo de abertura: os Múltiplos campos de atuação da geografia
Prof. Convidado: Dr. Valter do Carmo Cruz
(Geografia – UFF)

 Oficina de linguagem
Contribuições da fonoaudiologia à prática docente
Ministrada por Marilza Santos da Silva

Quarta-feira 09/01
 Apresentação da Coordenação do curso de Geografia - O Projeto Pedagógico do Curso de Geografia: Estrutura e funcionamento da licenciatura
Apresentação dos Programas de bolsas de ensino, pesquisa e extensão. PET, PIBID, PROIC, PIBIC, PROEX
Quinta-feira 10/01
Apresentação dos professores do Curso de Geografia
Percursos e Trajetórias Profissionais na Geografia

Laura Delgado Mendes
Cristiane Cardoso
Mauro Guimarães
Flavia Lins de Barros
Anita Loureiro de Oliveira
Monika Richter
Emerson Guerra
Roberta Arruzzo
Gustavo Granha
Clézio dos Santos
Sexta- Feira 11/01
Exposição do vídeo do trabalho de campo no Norte de Minas Gerais
GeoCafé

Mesa de abertura com Mirian de Oliveira Santos, Anita Loureiro e Nidia Majerowicz

Palestra Cartografia da Ação: Leituras do Espaço e Representações Sociais


terça-feira, 23 de outubro de 2012

Trabalho de Campo na Ilha Grande- RJ (25 a 27 de outubro, 2012)


A ideia de um trabalho de campo Ilha Grande foi proposta como forma de integração, principalmente para aproximar ainda mais o grupo no sentido de que possamos ter sempre uma relação de respeito e companheirismo além de buscar uma aproximação dos petianos com instrumentos cartográficos e a possibilidade de levar nosso olhar geográfico para este lugar belíssimo. A Ilha Grande é pensada a partir de seu potencial turístico, mas em outros períodos da sua história abrigou mais de um presídio e, antes disso, havia sido um espaço de isolamento para combater casos de cólera do Brasil.
Como futuros professores-pesquisadores, estamos a todo o momento formando opiniões críticas a respeito da complexidade que é morar no Estado do Rio de Janeiro, cujas modificações territoriais ocasionadas pelos grandes projetos e megaeventos sinalizam uma forma de “desenvolvimento” que afeta de modo significativo a vida de moradores e turistas no Estado. 
A preparação para a viagem se deu nos últimos dias da greve na UFRRJ e durante as reuniões de organização da viagem, fomos orientados a conhecer melhor a história da Ilha Grande e sua importância para o Estado do Rio de Janeiro e para o país. A pesquisa prévia nos revelou numerosos acontecimentos importantes para a compreensão da história do Estado e do país, pois desde a época do Brasil-colônia tornou-se um território disputado e cuja importância se revelaria alguns séculos mais tarde, quando a Ilha Grande recebeu a construção da Colônia Correcional de Dois Rios e do Lazareto que quando desativado passou a ser utilizado como Presídio Político. Se no início do século XX o presídio recebia detentos (muitos deles presos por vadiagem), anos mais tarde as questões políticas evidenciariam o papel de isolamento da Ilha Grande. Em 1954, o Lazareto foi demolido e seus detentos foram transferidos para o presídio de Dois Rios, que passou a se chamar Instituto Penal Cândido Mendes. 
Atualmente, as atividades praticadas na ilha são, em sua maior parte, ligadas ao turismo, com resquícios de uma vida caiçara onde a pesca resiste em meio ao consumo do/no lugar.
Com isso surgiram muitas ideias e a viagem que antes tinha objetivos pedagógicos relacionados à integração do grupo, transformou-se em um trabalho de campo de uma pesquisa que poderia gerar frutos analíticos. Integrando os conhecimentos adquiridos no PET e nas disciplinas do curso de Geografia, a proposta de geo-grafar a Ilha Grande contou com a colaboração e orientação da professora Monika Richter na concepção da proposta relacionada à cartografia dos locais visitados. Para além de um levantamento de dados sobre a história e o cotidiano do lugar, a proposta de uma cartografia sensível inclui uma compreensão mais ampla das análises sobre as práticas espaciais e a produção do espaço. Nosso objetivo era tentar compreender como as pessoas que moram e frequentam as vilas locais vivenciam o lugar e como percebem a dinâmica do espaço e suas transformações no tempo. Para isso a professora convidada propôs a aplicação de questionários para a realização de entrevistas e posterior sistematização dos resultados.
 O grupo foi animado pela ideia de conhecer um lugar rico em histórias, que mesmo sendo tão próximo geograficamente, não fazia parte diretamente da nossa realidade. Contamos com a participação de dez bolsistas do PET, além da tutora Anita Loureiro e de uma aluna do curso externa ao grupo, a bolsista do PIBIC Silvia.
Na manhã da viagem a temperatura estava muito agradável, mas quando chegamos em Mangaratiba a ventania já nos avisava o que estava por vir, mesmo assim a animação não acabou. Chegando na Vila do Abrão, todos ficamos extasiados com tamanha beleza. Mas o que mais chamou atenção foi que, apesar de ser um período de baixa temporada, havia um grande fluxo de pessoas com intensa atividade comercial, e, infelizmente numa quantidade imensa de lixo em locais inadequados. Apesar do mau tempo causado pela frente fria que chegou nessa semana no Rio, conseguimos fazer muitas atividades e cumprir grande parte do que havíamos planejado.
Logo no primeiro dia conhecemos o Parque Estadual da Ilha Grande, um lugar de beleza singular, com mata atlântica exuberante, com belas praias e cachoeiras. Conhecemos as ruínas do Lazareto e do Aqueduto e um pouco mais da história local por meio destes que são importantes marcos da memória e do patrimônio histórico do lugar. 


Grupo na entrada do Parque Estadual de Ilha Grande

Placa do Parque Estadual de Ilha Grande
Após a caminhada até a praia de Abraãozinho, nos reunimos para definir como faríamos a aplicação dos questionários nos distribuindo pelos 3 setores censitários da vila do Abraão.
                                                     
Grupo fazendo caminhada até o Abraãozinho

A forte chuva que atingiu a Ilha já no fim da tarde, permaneceu por todo o dia seguinte, quando fomos recepcionados por funcionários do CEADS (Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável) da UERJ na Vila de Dois Rios, onde tivemos a oportunidade de visitar as ruínas do Instituto Penal Cândido Mendes e conhecer melhor suas histórias e curiosidades. Visitamos o ECO MUSEU DA ILHA GRANDE acompanhados pela arte-educadora Angélica Liaño. Conhecemos a produção de artesanato local e a artesã Marilda nos falou um pouco do cotidiano na Vila de Dois Rios. A visita ao ecomuseu nos estimulou a produzir um material de apoio à recepção de visitantes e outras ideias surgiram no sentido desdobrarmos a atividade numa futura ação de extensão. No fim deste segundo dia, finalizamos as aplicações dos questionários na vila do Abraão e as entrevistas nos estimularam a refletir sobre questões que não nos mobilizariam se não fossem as falas dos moradores e suas preocupações com a dinâmica do turismo na Ilha Grande.

   Grupo no Ecomuseu (CEADS/UERJ) - Dois Rios
No terceiro dia fizemos um passeio de barco até a praia de Lopes Mendes, onde passamos o dia juntos. A praia com características singulares, como não possuir nenhuma construção e ter uma preservação ambiental evidente, já foi palco de uma série de manifestações que evidenciam uma luta dos moradores e usuários da Ilha Grande no sentido de preservá-la diante dos ímpetos de privatização do espaço público, que frequentemente ameaçam o local. O almoço na praia do pouso foi a última atividade antes de finalizarmos nossa viagem de confraternização e pesquisa.

  
  Despedida na Vila do Abraão

Como resultados deste trabalho de campo apontamos a possibilidade de intercâmbio com outras instituições de pesquisa, como o CEADS, a aproximação com a comunidade, por meio do ECOUSEU, a partir da ideia de futuramente voltarmos a Dois Rios para realizarmos uma oficina de reciclagem de garrafas PET para a produção de artesanato aprendendo esta técnica com os moradores da Vila, além de um aprofundamento do uso de técnicas de cartografia para reconhecimento de locais percorridos, que poderá vir a ser também uma futura oficina a ser desenvolvida em uma próxima visita à Ilha Grande. 
Foram produzidos mapas da Ilha Grande, banner com a síntese do trabalho desenvolvido, além de um folder com pontos de visitação a ser oferecido à UERJ como retribuição à nossa recepção. Os petianos também estão produzindo um artigo a ser apresentado como resultado da pesquisa desenvolvida pelo grupo na Ilha Grande.